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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

FAZENDA MONTE BELO "BAIRRO MONTE BELO" COLINA SP

 



FAZENDA MONTE BELO "BAIRRO MONTE BELO" COLINA SP

O início e desbravamento da fazenda Monte Belo se deu no alvorecer do século vinte com a aquisição de uma grande gleba de terras pela família Paro.

O Cel. Luiz Paro (Amábile Vello) construiu sua casa sede da fazenda, em 1909, na margem esquerda do córrego do Monte Belo e seu tio Sr. Benedito Paro (Luiza Cardini) e seu primo Sr. Henrique Paro (Silvia Segantini) construíram as sedes de suas fazendas na margem direita do córrego. (Segundo relato do Lupércio Luiz Paro, neto do Cel. Luiz Paro, disse que primeiramente seu avô teria comprado a gleba inteira, os dois lados do córrego e logo depois teria vendido as terras do lado direito para seu tio e seu primo). Benedito construiu a primeira casa sede de tábuas no ano de 1911 – casa essa que ficava uns cinquenta a setenta metros mais para baixo da de alvenaria - e a segunda de alvenaria no ano de 1924. Em 1915 construiu a escolinha e em 1928 construiu a Igreja. Contribuiu também com 2:500$000 para a construção da Matriz de São José de Colina. Em 1954 seus filhos Antônio e Giacomo doaram ao Estado um lote de terra onde o Governo, por intermediação do vereador João Paro, construiu um Grupo Escolar, que denominava Grupo Escolar Prof. Adão Correa Melges e anos mais tarde foi denominado por Escola Municipal Benedito Paro. (Essa família Paro são descendentes de Luigi Paro e Giovanna Gobbo.)

O Sr. Pietro Paro (Luigia Piveta) construiu ao lado direito do riozinho (para distinguir das outras, essa família denominamos Paro do Zelão).

Também o Sr. Pedro João Paro (descendente de Giovanni Paro e Giusephina Bernardi) construiu na margem direita (essa família denominamos Paro de Três Lagoas).

E mais abaixo seguindo o riozinho a família Alves construiu sua sede à margem esquerda do córrego.

O Bairro Monte Belo divisava com as fazendas: Hespanhol, São Braz, Figueira, São José dos Macacos, Consulta, Spechoto, Hugo Borges, Gurita (família Paro, Parão da Gurita).

Todas as fazendas do Bairro Monte Belo cultivavam café, milho, arroz, feijão, amendoim, abóbora, etc...

No Monte belo tinha um bom campo de futebol todo murado com um bom serviço de bar, onde o time local disputava o campeonato amador organizado pela Liga de Barretos. Dois bons campo de Bótia (Bocha), campo de malhas e debaixo das árvores disputavam ferrenhos torneios de truco e outros jogos de baralhos. Um bom armazém (venda) onde vendia quase de tudo o que o lavrador necessitava; inclusive até aplicava-se injeções à quem necessitava em suas enfermidades. Tinha uma barbearia sempre com bons barbeiros como o Sr Domingos Torelli, o Osvaldo Moretti, Leonildo Panhosi e outros.

Um Grupo Escolar que atendia, além de todas as crianças do Bairro na idade escolar, as crianças de todas as fazendas circunvizinhas ao Monte Belo. Este estabelecimento escolar serviu também por vários anos como sala de cinema, onde todos os sábados à noite rodavam filmes de longa metragens e seriados. Quem doara este projetor cinematográfico foi o Sr. Henrique Paro.

Uma Igreja muito bonita com Missas frequentes, nessa Igreja tinha a Congregação Mariana, o Apostolado da Oração e a Côrte de São José, uma boa catequese da Primeira Comunhão ministrada por bons catequistas, onde destaco o Sr Antonio Benedito Paro e sua filha Lúcia Paro. A noite tinha a récita do Terço, devoção popular muito participativa pela comunidade, inclusive as crianças, onde moços e moças após a reza aproveitavam para os encontros e namoros no caminho de volta até a casa da namorada. A meninada voltava brincando e os adultos casados voltavam contando causos e falando das lavouras.

 

Fundação da IGREJA NOSSA SENHORA APARECIDA do Monte Belo.

Por volta dos anos 1925 e 1926, o sr. Ângelo Paro, irmão dos senhores Antônio Benedito Paro, Giacomo Paro e irmãs, encontrava-se muito doente.

Comentava-se que era uma pneumonia grave.

Desta feita então, o sr. Ângelo Paro fez uma promessa, que se fosse curado construiria uma igreja para Nossa Senhora Aparecida, à quem ele havia feito o pedido de cura.

Quando melhorou e se sentiu curado, foi a Aparecida SP, cumprindo parte da promessa. Falou então com seu pai Benedito Paro, que reuniu seus familiares e juntos construíram a tal igreja e assim fizeram. No dia 15 de dezembro do ano de 1928, a Igreja foi inaugurada. A primeira missa foi celebrada pelo então Padre Jaime Garzaro, pároco de Colina nessa época. Cumprindo desta feita a totalidade da promessa.

Nessa mesma época o Padre Vitor Coelho de Almeida, Padre redentorista da Cidade de Aparecida SP, foi ao Monte Belo pregar as Santas Missões e em uma das suas pregações e missas administrou a primeira comunhão aos meninos e moços do Monte Belo e região, que haviam sido preparados para tal, pelo senhor Antonio Benedito Paro.

Um desses garotos era o Guerino Tonus, que sempre comentava o fato ocorrido e explicava com detalhes.

Aquela imagem de Nossa Senhora Aparecida da igreja de Monte Belo é uma Imagem milagrosa, por intermédio dela muitas pessoas receberam graças, muitas curaram doenças. Entre outras cito aqui o testemunho do sr. João Paro quando ele era moço. Certo dia ele disse-me que seu tio Giacomo Paro se achava muito doente, uma enfermidade tão grave que parecia incurável, compadecendo com a dor do tio o sr. João fez uma promessa; caminhar de joelhos da casa da fazenda onde ele morava com os pais até a Igreja para rezar e implorar pela saúde do tio. Ele levantava na madrugada ainda escuro, bem antes do pessoal da fazenda acordar e saia de joelhos da casa até a igreja, fez isso por nove madrugadas e alcançou o milagre, seu tio ficou curado.

Naquela época celebrava-se a Padroeira Nossa Senhora Aparecida no dia 08/09, celebração da Natividade de Nossa Senhora que era dia santo de guarda no setor rural.

Quanto a data exata da construção da igreja no momento não sabemos; sabemos sim que por testemunhos verbais temos as datas de 1926, e 15/12/1928. E temos ainda uma nota no jornal o colinense do dia 22/12/1929 como uma inauguração solene da igreja do Monte Belo.

(Sobre essas datas, penso eu, que deva ter tido inauguração e reinauguração)

Todo ano uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima peregrinava em todas as casas do Monte Belo, eram três a quatro meses para completar o percurso das casas. Para receber a santinha as famílias preparavam bem as salas, enfeitavam os altares, usavam flores naturais, faziam flores de papeis, enfeitavam a imagem da santa com arcos de flores de papel crepom, serviam chás, café, bolinhos, bolachas. Era muito bonita a religiosidade e a educação daquela gente. Tinha as Folias de Reis, que, ao mesmo tempo, era oração e festejo para o povo.

De frente com a Igreja tinha uma grande figueira e ali tinha um coreto, um bar, uma cozinha para fritos e cozidos e fornos para assados. Era debaixo desta bela árvore que todos os anos nos dias 7 e 8 de setembro realizava-se a grande festa, a quermesse da Igreja, era uma das festas mais famosas do município de Colina, vinha gente de toda redondeza de Colina, e até de Barretos e Severínia.

Cada colônia do bairro tinha um campinho onde os meninos formavam seus times particulares e disputavam partidas de futebol entre as várias colônias do Bairro. No riacho tinha vários poços onde os rapazes e criançada nadavam. Também tinha muitos peixes naquele rio onde pescávamos com anzol e com peneira. Nos pastos e mangueirões tinha muitas árvores onde a molecadas brincava e pulava de galho em galho. Caçávamos de estilingue e armávamos arapuca no brejo e na palhada para pegar saracuras, pombas, rolinhas, codornas e nhambus. Pulávamos amarelinha e subíamos em pau-de-sebo. À noite no pasto brincávamos de pega, balança caixão, rabo da raposa, e corríamos atrás de vaga-lume. No claro da porta da sala no terreiro, brincava de claro-e-escuro, brincava de cobra-cega e passar anel. Jogávamos tômbola, filipe de café, bolinha de vidro, trilha de encantoar, trilha dos nove, trilha da onça, rodava pião, rodava arquinho. Nas festas juninas tinha grandes fogueiras, muita reza, café, chás, licor e anizete. Muitas bombinhas, foguetinhos e busca-pés, e malhação no juda.

Em frente a colônia do Henrique Paro tinha uma grande árvore, “santa barbara”, onde à noite os homens se reuniam para contar causos e piadas. Nessas rodas de conversas a molecada era excluída, ficavam correndo e brincando pelo gramado do pasto, mas como moleque é arteiro viviam correndo em volta da árvore só para escutar as piadas que os homens contavam. Aliás, todas as colônias tinham um ponto para a roda de conversas, citei este como exemplo.

Os pontos de encontro do povo em geral do bairro, e circunvizinhos, eram: no armazém, na Igreja e no campo de futebol.

Então por tudo isso este lugarejo foi denominado Bairro Monte Belo.

03 de agosto de 2011/ Nestor de Oliveira Filho