FAZENDA MONTE BELO "BAIRRO MONTE BELO" COLINA SP
O início e desbravamento da fazenda Monte Belo se deu no
alvorecer do século vinte com a aquisição de uma grande gleba de terras pela
família Paro.
O Cel. Luiz Paro (Amábile Vello) construiu sua casa sede da
fazenda, em 1909, na margem esquerda do córrego do Monte Belo e seu tio Sr.
Benedito Paro (Luiza Cardini) e seu primo Sr. Henrique Paro (Silvia Segantini)
construíram as sedes de suas fazendas na margem direita do córrego. (Segundo
relato do Lupércio Luiz Paro, neto do Cel. Luiz Paro, disse que primeiramente
seu avô teria comprado a gleba inteira, os dois lados do córrego e logo depois
teria vendido as terras do lado direito para seu tio e seu primo). Benedito
construiu a primeira casa sede de tábuas no ano de 1911 – casa essa que ficava
uns cinquenta a setenta metros mais para baixo da de alvenaria - e a segunda de
alvenaria no ano de 1924. Em 1915 construiu a escolinha e em 1928 construiu a
Igreja. Contribuiu também com 2:500$000 para a construção da Matriz de São José
de Colina. Em 1954 seus filhos Antônio e Giacomo doaram ao Estado um lote de
terra onde o Governo, por intermediação do vereador João Paro, construiu um
Grupo Escolar, que denominava Grupo Escolar Prof. Adão Correa Melges e anos
mais tarde foi denominado por Escola Municipal Benedito Paro. (Essa família
Paro são descendentes de Luigi Paro e Giovanna Gobbo.)
O Sr. Pietro Paro (Luigia Piveta) construiu ao lado direito
do riozinho (para distinguir das outras, essa família denominamos Paro do
Zelão).
Também o Sr. Pedro João Paro (descendente de Giovanni Paro e
Giusephina Bernardi) construiu na margem direita (essa família denominamos Paro
de Três Lagoas).
E mais abaixo seguindo o riozinho a família Alves construiu
sua sede à margem esquerda do córrego.
O Bairro Monte Belo divisava com as fazendas: Hespanhol, São
Braz, Figueira, São José dos Macacos, Consulta, Spechoto, Hugo Borges, Gurita
(família Paro, Parão da Gurita).
Todas as fazendas do Bairro Monte Belo cultivavam café,
milho, arroz, feijão, amendoim, abóbora, etc...
No Monte belo tinha um bom campo de futebol todo murado com
um bom serviço de bar, onde o time local disputava o campeonato amador
organizado pela Liga de Barretos. Dois bons campo de Bótia (Bocha), campo de
malhas e debaixo das árvores disputavam ferrenhos torneios de truco e outros
jogos de baralhos. Um bom armazém (venda) onde vendia quase de tudo o que o
lavrador necessitava; inclusive até aplicava-se injeções à quem necessitava em
suas enfermidades. Tinha uma barbearia sempre com bons barbeiros como o Sr
Domingos Torelli, o Osvaldo Moretti, Leonildo Panhosi e outros.
Um Grupo Escolar que atendia, além de todas as crianças do
Bairro na idade escolar, as crianças de todas as fazendas circunvizinhas ao
Monte Belo. Este estabelecimento escolar serviu também por vários anos como
sala de cinema, onde todos os sábados à noite rodavam filmes de longa metragens
e seriados. Quem doara este projetor cinematográfico foi o Sr. Henrique Paro.
Uma Igreja muito bonita com Missas frequentes, nessa Igreja
tinha a Congregação Mariana, o Apostolado da Oração e a Côrte de São José, uma
boa catequese da Primeira Comunhão ministrada por bons catequistas, onde
destaco o Sr Antonio Benedito Paro e sua filha Lúcia Paro. A noite tinha a
récita do Terço, devoção popular muito participativa pela comunidade, inclusive
as crianças, onde moços e moças após a reza aproveitavam para os encontros e
namoros no caminho de volta até a casa da namorada. A meninada voltava
brincando e os adultos casados voltavam contando causos e falando das lavouras.
Fundação da IGREJA NOSSA SENHORA APARECIDA do Monte Belo.
Por volta dos anos 1925 e 1926, o sr. Ângelo Paro, irmão dos
senhores Antônio Benedito Paro, Giacomo Paro e irmãs, encontrava-se muito
doente.
Comentava-se que era uma pneumonia grave.
Desta feita então, o sr. Ângelo Paro fez uma promessa, que
se fosse curado construiria uma igreja para Nossa Senhora Aparecida, à quem ele
havia feito o pedido de cura.
Quando melhorou e se sentiu curado, foi a Aparecida SP, cumprindo
parte da promessa. Falou então com seu pai Benedito Paro, que reuniu seus
familiares e juntos construíram a tal igreja e assim fizeram. No dia 15 de
dezembro do ano de 1928, a Igreja foi inaugurada. A primeira missa foi
celebrada pelo então Padre Jaime Garzaro, pároco de Colina nessa época.
Cumprindo desta feita a totalidade da promessa.
Nessa mesma época o Padre Vitor Coelho de Almeida, Padre
redentorista da Cidade de Aparecida SP, foi ao Monte Belo pregar as Santas
Missões e em uma das suas pregações e missas administrou a primeira comunhão
aos meninos e moços do Monte Belo e região, que haviam sido preparados para
tal, pelo senhor Antonio Benedito Paro.
Um desses garotos era o Guerino Tonus, que sempre comentava
o fato ocorrido e explicava com detalhes.
Aquela imagem de Nossa Senhora Aparecida da igreja de Monte
Belo é uma Imagem milagrosa, por intermédio dela muitas pessoas receberam
graças, muitas curaram doenças. Entre outras cito aqui o testemunho do sr. João
Paro quando ele era moço. Certo dia ele disse-me que seu tio Giacomo Paro se
achava muito doente, uma enfermidade tão grave que parecia incurável,
compadecendo com a dor do tio o sr. João fez uma promessa; caminhar de joelhos
da casa da fazenda onde ele morava com os pais até a Igreja para rezar e
implorar pela saúde do tio. Ele levantava na madrugada ainda escuro, bem antes
do pessoal da fazenda acordar e saia de joelhos da casa até a igreja, fez isso
por nove madrugadas e alcançou o milagre, seu tio ficou curado.
Naquela época celebrava-se a Padroeira Nossa Senhora
Aparecida no dia 08/09, celebração da Natividade de Nossa Senhora que era dia
santo de guarda no setor rural.
Quanto a data exata da construção da igreja no momento não
sabemos; sabemos sim que por testemunhos verbais temos as datas de 1926, e
15/12/1928. E temos ainda uma nota no jornal o colinense do dia 22/12/1929 como
uma inauguração solene da igreja do Monte Belo.
(Sobre essas datas, penso eu, que deva ter tido inauguração
e reinauguração)
Todo ano uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima peregrinava
em todas as casas do Monte Belo, eram três a quatro meses para completar o
percurso das casas. Para receber a santinha as famílias preparavam bem as
salas, enfeitavam os altares, usavam flores naturais, faziam flores de papeis,
enfeitavam a imagem da santa com arcos de flores de papel crepom, serviam chás,
café, bolinhos, bolachas. Era muito bonita a religiosidade e a educação daquela
gente. Tinha as Folias de Reis, que, ao mesmo tempo, era oração e festejo para
o povo.
De frente com a Igreja tinha uma grande figueira e ali tinha
um coreto, um bar, uma cozinha para fritos e cozidos e fornos para assados. Era
debaixo desta bela árvore que todos os anos nos dias 7 e 8 de setembro
realizava-se a grande festa, a quermesse da Igreja, era uma das festas mais
famosas do município de Colina, vinha gente de toda redondeza de Colina, e até
de Barretos e Severínia.
Cada colônia do bairro tinha um campinho onde os meninos
formavam seus times particulares e disputavam partidas de futebol entre as várias
colônias do Bairro. No riacho tinha vários poços onde os rapazes e criançada
nadavam. Também tinha muitos peixes naquele rio onde pescávamos com anzol e com
peneira. Nos pastos e mangueirões tinha muitas árvores onde a molecadas
brincava e pulava de galho em galho. Caçávamos de estilingue e armávamos
arapuca no brejo e na palhada para pegar saracuras, pombas, rolinhas, codornas
e nhambus. Pulávamos amarelinha e subíamos em pau-de-sebo. À noite no pasto
brincávamos de pega, balança caixão, rabo da raposa, e corríamos atrás de
vaga-lume. No claro da porta da sala no terreiro, brincava de claro-e-escuro,
brincava de cobra-cega e passar anel. Jogávamos tômbola, filipe de café,
bolinha de vidro, trilha de encantoar, trilha dos nove, trilha da onça, rodava
pião, rodava arquinho. Nas festas juninas tinha grandes fogueiras, muita reza, café,
chás, licor e anizete. Muitas bombinhas, foguetinhos e busca-pés, e malhação no
juda.
Em frente a colônia do Henrique Paro tinha uma grande árvore,
“santa barbara”, onde à noite os homens se reuniam para contar causos e piadas.
Nessas rodas de conversas a molecada era excluída, ficavam correndo e brincando
pelo gramado do pasto, mas como moleque é arteiro viviam correndo em volta da
árvore só para escutar as piadas que os homens contavam. Aliás, todas as
colônias tinham um ponto para a roda de conversas, citei este como exemplo.
Os pontos de encontro do povo em geral do bairro, e
circunvizinhos, eram: no armazém, na Igreja e no campo de futebol.
Então por tudo isso este lugarejo foi denominado Bairro
Monte Belo.
03 de agosto de 2011/ Nestor de Oliveira Filho















































































































































































































































































